Carnoy, M. (1989). Education, State, and Culture in American Society.

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Published

January 3, 2026

Modified

January 4, 2026

Full citation: Carnoy, M. (1989). Education, State, and Culture in American Society. In H. A. Giroux & M. Carnoy (Eds.), Critical pedagogy, the state, and cultural struggle. State University of New York Press.

Personal Notes and highlights

O texto de Martin Carnoy avança no debate paradigmário, ou na discussão sobre ontologias educacionias, talvez seja um dos primeiros textos a ressaltar isso tão fortemtente, conforme faz Paulo Freire também. Talvez uma das principais virtudes de Carnoy é ter se misturado tão fortemtente com tantas tradições diferentes de politica educacional, possibilitanto o desenvolvimento dessa perspectiva.


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O texto de Martin Carnoy analisa o sistema educacional dos Estados Unidos como um espaço de conflito político e cultural entre a ideologia dominante das classes empresariais e as aspirações de grupos subordinados. O autor explora como o Estado utiliza as escolas para promover a legitimação política e o desenvolvimento econômico, tentando integrar imigrantes e minorias em uma cultura nacional que favoreça a produtividade capitalista. Contudo, essa dinâmica não é unilateral, pois os movimentos sociais pressionam as instituições por maior igualdade e currículos inclusivos, transformando a educação em uma arena de resistência e negociação constante. Em última análise, a obra busca demonstrar que o ensino público serve tanto para a reprodução da estrutura de classes quanto como um campo fértil para a emergência de contra-hegemonias que desafiam o status quo.


NotebookLM : #### Qual a tese central do texto?

A tese central apresentada por Martin Carnoy no ensaio “Education, State, and Culture in American Society” é a de que o sistema educacional americano (e o Estado em geral) não é meramente um instrumento monolítico da classe dominante para reproduzir desigualdades, nem uma instituição puramente democrática de mobilidade social. Em vez disso, a educação é definida como um campo de conflito e contradição moldado pela luta contínua entre duas forças opostas: as forças “reprodutivas” do capital e as forças “democratizantes” dos movimentos sociais.

Aqui estão os pontos principais que sustentam essa tese no texto:

1. O Estado como Arena de Luta (Dualidade de Fins) Carnoy rejeita a visão simplista de que as escolas apenas impõem uma ideologia dominante ou que servem apenas para a mobilidade social. Ele argumenta que o Estado capitalista democrático tem objetivos contraditórios:

  • Reprodução: Precisa socializar a mão de obra para a produção capitalista, o que gera desigualdades, hierarquias e injustiças naturais ao sistema econômico.

  • Democratização: Precisa promover o ideal de um Estado democrático, respondendo às demandas por igualdade e mobilidade social para manter sua legitimidade política,. Consequentemente, a educação americana é o produto histórico tanto das tentativas da classe dominante de moldar a escola para suas necessidades quanto das tentativas dos grupos subordinados de expandir e democratizar o acesso.

2. Cultura Dominante vs. Ideologia A tese distingue entre “cultura” (a totalidade de padrões de comportamento e a capacidade de fazer história de uma comunidade) e “ideologia” (uma versão a-histórica da cultura imposta pelo grupo dominante). * O grupo dominante tenta impor sua “ideologia de negócios” (individualismo, consumo, meritocracia) como se fosse a cultura nacional. * No entanto, para manter a hegemonia, a cultura dominante precisa ceder e incorporar elementos das culturas subordinadas, tornando-se mais “popular” para garantir o consenso. Assim, as vitórias dos movimentos sociais (como direitos civis) alteram a própria natureza da cultura dominante, embora a elite empresarial tente constantemente reabsorver essas mudanças para manter o controle.

3. A Natureza da Resistência e a Contra-hegemonia Carnoy argumenta contra a ideia de que o fracasso escolar ou a rejeição da escola sejam formas eficazes de resistência política. * Resistência Falsa: Quando estudantes marginalizados rejeitam a escola (“acting out”) ou abandonam os estudos, isso é frequentemente uma reação pessoal que acaba reforçando sua posição subordinada, pois lhes nega o acesso ao conhecimento necessário para o poder político. * Contra-hegemonia Real: A verdadeira resistência exige que os grupos subordinados permaneçam na escola e exijam acesso ao “conhecimento dominante” (habilidades intelectuais, ciência, matemática), não para aceitar a ideologia empresarial, mas para usar essas ferramentas na luta política democrática.

4. O Papel da Educação na Mudança Social A conclusão da tese é que as escolas são locais onde o conflito social mais amplo (baseado em raça, gênero e classe) é disputado. O sucesso dos movimentos sociais não está em criar enclaves culturais separados, mas em travar uma “guerra de posição” (usando o termo gramsciano citado no texto) dentro das instituições públicas para redefinir o conhecimento e a cultura nacional.

Em suma, a educação é descrita não como um mecanismo estático de controle, mas como um processo dialético onde a hegemonia é constantemente desafiada e renegociada através da ação política dos grupos subordinados dentro de um Estado democrático contraditório.


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Educação, Estado e Cultura na Sociedade Americana (Resumo)

O ensaio de Martin Carnoy analisa o papel das escolas públicas americanas na incorporação de ondas heterogêneas de imigração a uma “cultura” nacional de massa e a relação complexa entre educação, estado e cultura em uma sociedade capitalista democrática.

Interpretações da Reforma Escolar:

  • Uma interpretação sugere que as escolas impõem uma ideologia dominante para socializar imigrantes e a “gentalha” da classe baixa em uma força de trabalho disciplinada.
  • Outra interpretação argumenta que as escolas incorporam estudantes em um conjunto de normas e valores que já refletem a cultura de massa, sendo a aceitação o mínimo para evitar a alienação.

O Estado Capitalista Democrático e a Educação:

  • O estado capitalista democrático tem objetivos educacionais contraditórios:
    • Um papel “reprodutivo”: socializar e treinar a força de trabalho e fazer as desigualdades do capitalismo parecerem naturais, impondo uma representação ideológica da cultura empresarial dominante.
    • Um papel “democratizante”: incutir ideais democráticos e responder às demandas por acesso igualitário a bens e serviços.
  • A educação americana é o produto de forças reprodutivas (tentativas da classe dominante de impor sua visão) e forças democratizantes (tentativas de grupos subordinados de moldar as escolas para o desenvolvimento de suas culturas).
  • As escolas públicas são um alvo principal do conflito social entre o capital e o trabalho e os movimentos sociais que buscam maior igualdade.

Cultura e Ideologia:

  • Cultura é a “totalidade de padrões de comportamento socialmente transmitidos, artes, crenças, instituições e todos os outros produtos do trabalho e pensamento humano característicos de uma comunidade ou população”.
  • Ideologia é uma versão ahistórica da cultura da classe dominante. É a concepção do grupo dominante sobre o que o grupo subordinado deve aspirar. A aceitação da ideologia dominante implica a separação da cultura de grupo anterior, mas em uma democracia, a participação política individual permite influenciar a mudança cultural.
  • A resistência, em contraste com a “saída” apolítica, é o conflito com a escola por parte de estudantes que entendem a visão da escola como uma barreira ao desenvolvimento cultural de seu grupo. O sucesso escolar para estudantes marginalizados significa inclusão, incorporação e expansão da cultura de massa.