Notes for Carnoy 1984

Political Economy
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Published

January 12, 2026

Modified

January 12, 2026

Aqui está um resumo abrangente e estruturado do texto fornecido:

O livro, The State and Political Theory, de Martin Carnoy, visa analisar o conceito de Estado a partir de uma perspectiva de classe. O crescimento do setor público, ou Estado, tornou-se uma questão crucial nas sociedades de hoje, pois ele detém a chave para o desenvolvimento econômico, a segurança social e a liberdade individual.

Principais Propósitos do Livro:

Estrutura da Análise de Teorias do Estado: O livro compara a visão dominante americana, centrada no pluralismo e corporativismo, com as teorias marxistas.

As tendências recentes na teoria marxista apontam para o Estado como o foco principal da luta de classes e para uma estratégia de transição para o socialismo que é fundamentalmente democrática.

Especificamente o Capítulo 7 sobre teoria da dependência:

O Capítulo 7 do livro, intitulado “O Estado Dependente”, discute a natureza e as características do Estado nas sociedades capitalistas menos industrializadas, frequentemente referidas como Terceiro Mundo.

O capítulo explora se o Estado nestes países é um resquício de formas políticas antigas, uma fase temporária do capitalismo, ou se é fundamentalmente diferente devido à sua industrialização tardia e à sua relação histórica com as economias já industrializadas.

Os principais pontos abordados são:

1. Antecedentes Históricos e Teóricos

  • Visão Marxista: O capítulo contextualiza a discussão com as visões de Marx sobre o colonialismo, que via a dominação britânica na Índia como uma força “destrutiva, a outra regeneradora” contra uma sociedade estagnada, mas via o domínio na Irlanda como destrutivo e subdesenvolvedor.
  • Lenin e o Imperialismo: Lenin argumentou que o imperialismo é uma fase necessária do capitalismo, impulsionada pela exportação de capital devido ao excesso de acumulação e à rivalidade entre potências capitalistas.
  • O Estado Colonial: O Estado colonial não representava as classes sociais da colônia, mas subordinava-as à classe capitalista metropolitana, com a função de tornar toda a economia da colônia subserviente à economia metropolitana.

2. Modelos de Sistema Mundial (Frank e Amin)

  • Tese Central: Esta perspectiva (representada por Frank e Amin) vê o desenvolvimento (ou subdesenvolvimento) do capitalismo do Terceiro Mundo como parte do desenvolvimento do processo de produção mundial.
  • O Estado Dependente como Instrumento: O Estado é visto como um instrumento essencial para administrar o papel dependente dessas economias na divisão internacional do trabalho e no processo mundial de acumulação de capital.
  • Natureza do Estado: O Estado periférico é “muito mais um instrumento do capital estrangeiro do que do capital local”. É relativamente forte e autônomo em relação à sua burguesia local, mas fundamentalmente fraco e dependente da burguesia internacional. Sua função é garantir o acesso aos recursos domésticos para o capital metropolitano, mobilizando fundos públicos e reformando a estrutura social para disponibilizar mão de obra para as exportações.

3. Dependência Histórico-Estrutural (Cardoso e Faletto)

  • Ênfase na Luta de Classes: Cardoso e Faletto rejeitam a derivação mecânica das sociedades dependentes unicamente da “lógica da acumulação capitalista”. Eles enfatizam a “transformação histórica das estruturas por meio de conflitos, movimentos sociais e luta de classes”.
  • Fatores Locais: A forma e as políticas do Estado resultam de como os “setores das classes locais se aliaram ou se chocaram com interesses estrangeiros” e organizaram diferentes formas de Estado.
  • O Estado como Arena de Conflito: O Estado dependente é uma arena primária de conflito de classes, e a pressão dos grupos populares (“el pueblo”) força o Estado em uma direção democrática. O Estado é fundamental para a organização do mercado interno e da acumulação de capital local.

4. O Novo Autoritarismo (Autoritarismo Burocrático)

  • Características: O regime de autoritarismo burocrático é um tipo de corporatismo que é “garantidor e organizador da dominação exercida através de uma estrutura de classes subordinada às frações superiores de uma burguesia altamente oligopolizada e transnacionalizada”. Ele exclui politicamente os setores populares por meio da coerção e economicamente, redirecionando os gastos sociais para a infraestrutura e a burocracia estatal.
  • Debate sobre a Origem: Enquanto Frank e O’Donnell (em sua fase inicial) argumentavam que o regime era uma resposta necessária à crise de acumulação ou à necessidade de aprofundar a industrialização, Cardoso e Stepan discordam. Eles veem o autoritarismo burocrático como uma resposta a uma exigência política—a ameaça à hegemonia da elite por movimentos populares—e o consideram um “tipo de regime político” e não uma forma estruturalmente inevitável do Estado.

Conclusão do Capítulo

O capítulo conclui que o Estado autoritário é frágil devido à sua base social limitada e à “nostalgia pela democracia”. A luta pela democracia é um elemento dinâmico e unificador para a transformação social. A degeneração do autoritarismo burocrático está intimamente ligada à expansão democrática nas metrópoles.