Fichamento: Methodological Pluralism in Political Science
Della Porta, D., & Keating, M. (2023)
Della Porta, D., & Keating, M. (2023). Methodological pluralism in political science. In J. M. Box-Steffensmeier et al. (Eds.), Oxford handbook of engaged methodological pluralism in political science. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780192868282.013.75
Última atualização: 2026-04-19 Modelo: Perplexity, powered by Claude Sonnet 4.6 Thinking Gerado em: 2026-04-19T09:33:00-03:00
1 Introdução: A Origem do Debate e o Contexto Institucional (pp. 1–2)
1.1 O evento-gatilho e a crítica ao positivismo [§1–§3]
O capítulo tem origem numa circunstância institucional contingente, vivenciada pelos próprios autores no início dos anos 2000 no Instituto Universitário Europeu (EUI). Doutorando(a)s da instituição manifestaram descontentamento com a alegada negligência em relação aos “métodos qualitativos.” Ao aprofundar o debate, tornou-se evidente que a queixa não dizia respeito a técnicas de coleta de dados em si, mas a uma epistemologia específica, vagamente identificada pelos estudantes como “positivista.” O qualitativo era, assim, definido negativamente — por oposição a uma epistemologia percebida como dominante —, e não por seus próprios termos.
Esse contexto local expressava, segundo os autores, uma visão maniqueísta das divisões nas ciências sociais. Della Porta e Keating identificam três eixos recorrentes pelos quais o conflito disciplinar costuma ser enquadrado: (1) o embate entre pesquisadores qualitativos, que utilizam arquivos, etnografia e análise do discurso, e pesquisadores quantitativos, que se valem de matemática, teoria dos jogos e estatística; (2) a divergência sobre se a ciência política pode aspirar a leis causais semelhantes às das ciências naturais; (3) a contraposição entre teóricos da escolha racional e abordagens que reconhecem motivações humanas mais complexas (Shapiro, Smith e Masoud 2004). Marsh e Stoker (1995, p. 290) são citados como exemplo de quem havia codificado essa visão bipolar: a teoria da escolha racional operaria a partir de posição epistemológica positivista e ênfase em análise quantitativa, enquanto a análise do discurso operaria a partir de posição relativista e concentrar-se-ia na análise qualitativa.
1.2 A pluralidade de clivagens e a questão do paradigma [§4–§7]
Ao investigar mais a fundo, os autores constataram que as posições sobre os fins da pesquisa social eram muito mais variadas e nuançadas do que o esquema bipolar sugeria. Identificar campos claramente delimitados era difícil, e as clivagens cruzadas permitiam um grau de entendimento mútuo que contrariava a imagem de “guerra metodológica.” Havia, na verdade, múltiplos debates sobre métodos, metodologias e epistemologia, com histórias independentes.
Esses debates remetiam, em última instância, à questão sobre a existência ou não de um paradigma comum nas ciências sociais. Recuperando Kuhn (1962), os autores recordam que disciplinas maduras sustentam-se num paradigma que define o que estudar, por que estudar e como estudar. Kuhn já na década de 1960 apontava como questão aberta a existência desse paradigma nas ciências sociais — questão que, segundo Della Porta e Keating, permanecia sem solução nos anos 2000. Alguns cientistas sociais insistem na existência de um paradigma único. King, Keohane e Verba (1994, p. 6), em obra seminal, sintetizaram o “ideal” de pesquisa científica em quatro critérios: (1) o objetivo é a inferência; (2) os procedimentos são públicos; (3) as conclusões são incertas; (4) o conteúdo é o método. Outros cientistas sociais, no entanto, não compartilham essas premissas e caracterizam a disciplina como pré-paradigmática, pós-paradigmática, não-paradigmática ou mesmo multi-paradigmática.
2 O Que Podemos Conhecer e Como? Ontologias e Epistemologias (pp. 3–5)
2.1 A questão ontológica e o espectro de posições [§11–§14]
A seção central do capítulo examina as bases ontológicas e epistemológicas das abordagens concorrentes nas ciências sociais. A questão ontológica — sobre o que estudamos, o objeto da investigação — remete a debates filosóficos antigos. Nas ciências naturais, o debate gira em torno de se as taxonomias de espécies existem na natureza ou são produtos da classificação científica: para os nominalistas, as categorias existem porque as criamos arbitrariamente; para os realistas, elas estão lá para ser descobertas. Nas ciências sociais, a amplitude do debate é ainda maior: há profundas divergências sobre o grau em que o mundo dos fenômenos sociais é real e objetivo, dotado de existência autônoma fora da mente humana e independente da interpretação do sujeito (Corbetta 2003). Para alguns, o único objeto “real” é o indivíduo, sendo todos os outros níveis meros artefatos — base do individualismo metodológico e de boa parte das abordagens de escolha racional. A maioria dos cientistas sociais, contudo, trabalha com categorias mais amplas, como classe, gênero ou etnia, o que gera disputas sobre se essas categorias são distinções objetivas reais, produtos de nossa categorização ou meros conceitos.
A epistemologia — ramo da filosofia dedicado à “natureza, fontes e limites do conhecimento” (Klein 2005) — aborda o conhecimento proposicional: diferentemente da mera crença, requer que se forneçam razões para afirmar que algo é verdadeiro e que se possa convencer outros. As ciências naturais geralmente compartilham padrões comuns de evidência, argumento e lógica. As ciências sociais não, com alguns defendendo evidências objetivas e outros insistindo em formas alternativas de conhecimento. Um exemplo revelador: na ciência social positiva, é comum contrastar “mitos” (crenças amplamente partilhadas) com a “realidade” revelada pela pesquisa empírica; mas muitos antropólogos rejeitariam esse procedimento, pois mitos e crenças são dados tão válidos quanto quaisquer outros, e não cabe ao cientista social dizer que a construção de mundo alheia está errada. A própria ciência social pode ser acusada de operar em mitos — como o homo economicus dos economistas ou o mito das instituições racionalizadas (Meyer e Rowan 1983).
2.2 As quatro grandes posições epistemológico-ontológicas [§15–§19]
Combinando as dimensões ontológica e epistemológica, os autores identificam quatro grandes posições — não como categorias rígidas, mas como pontos num espectro do mais positivista ao mais humanístico:
| Posição | Ontologia | Epistemologia | Referência principal |
|---|---|---|---|
| Positivismo | Mundo objetivo, totalmente cognoscível | Pesquisador neutro, leis causais universais | Comte, Spencer, Durkheim |
| Pós-positivismo / Neo-positivismo | Mundo objetivo, mas imperfeitamente cognoscível | Leis probabilísticas; realismo crítico admite mecanismos latentes | Delanty 1999; Bhaskar 2002 |
| Construtivismo | Realidade mediada por classificações e teorias | Conhecimento filtrado pela teoria adotada; avaliação por poder explicativo | Hacking 1999; Kratochwil 2008 |
| Interpretativismo / Humanismo | Significados subjetivos como dados constitutivos | Compreensão empática; “dupla hermenêutica” (Giddens 1976) | Geertz 1973; Bevir e Rhodes 2003 |
O positivismo tradicional, representado por Comte, Spencer e, para alguns, Durkheim, assimila as ciências sociais à física newtoniana: o mundo existe como entidade objetiva, o pesquisador pode separar-se do objeto e observá-lo de modo neutro, e há regularidades sistemáticas amenáveis à pesquisa empírica. Durkheim (1982, p. 159) sintetiza: “como a lei da causalidade foi verificada em outros domínios da natureza e progressivamente estendeu sua autoridade do mundo físico ao biológico, e deste ao psicológico, pode-se justificadamente postulá-la verdadeira para o mundo social.” O neo-positivismo e o pós-positivismo relaxam essas premissas: a realidade permanece objetiva, mas é apenas imperfeitamente cognoscível; a confiança positivista no conhecimento causal é modificada pela admissão de fenômenos governados apenas por leis probabilísticas. A epistemologia do realismo crítico (Bhaskar 2002) sustenta que há um mundo material real, mas que nosso conhecimento dele é frequentemente condicionado socialmente e sujeito a revisão; mecanismos que governam os assuntos humanos podem ser não-observados ou não-observáveis, mas não devem ser descartados por isso.
O construtivismo social — nas palavras de Hacking (1999, p. 33): “os construtivistas sociais tendem a sustentar que as classificações não são determinadas pelo modo como o mundo é, mas são formas convenientes de representá-lo” — trata as teorias não como descrições avaliadas por correspondência literal com a realidade, mas como modos parciais de compreender o mundo, a serem comparados pelo seu poder explicativo (Kratochwil 2008). O interpretativismo entende que significados objetivos e subjetivos estão profundamente entrelaçados, enfatiza o voluntarismo humano e exige que o pesquisador descubra os significados que motivam as ações dos atores, em vez de recorrer a leis universais a eles externas; interpretação caracteriza o estudo da história como mundo de atores com conhecimento imperfeito e motivações complexas, formadas por influências culturais e sociais (Bevir e Rhodes 2003). As abordagens humanísticas radicalizam essa perspectiva: a ciência social é, na definição consagrada de Geertz (1973, p. 5), “não uma ciência experimental em busca de leis, mas uma ciência interpretativa em busca de significado.” No giro reflexivo mais avançado, as interpretações dos cientistas sociais retroalimentam as pessoas por meio da literatura e da mídia, influenciando-as novamente — o que Giddens (1976) denomina “dupla hermenêutica.” Essa dinâmica é uma das razões pelas quais relações que valeram no passado podem não valer no futuro (Hay 2002).
3 Sínteses e Terreno Comum (pp. 5–6)
3.1 O meio-termo como dado empírico da prática científica [§20–§22]
Diante dessa complexidade, a perspectiva pluralista desafia a natureza forçada das escolhas binárias frequentemente apresentadas e aceita a existência, na prática da pesquisa, de um amplo terreno médio. O projeto que deu origem a Approaches and Methodologies identificou, logo de início, inúmeros pontos de interseção entre os colaboradores e a extensão do terreno comum que emergiu do debate. As ciências sociais foram construídas como uma “terceira via” entre as ciências naturais e as humanidades; a tentação de tomar emprestado de uma ou de outra foi sempre intensa, entrando em tensão com a tentativa de definir as especificidades de um campo distinto.
Os pesquisadores variam em sua preferência por conhecimento generalizável versus compreensão de casos específicos, mas a maioria combina, em diferentes equilíbrios, algum ceticismo quanto à capacidade de construir leis gerais com a esperança de que a pesquisa sobre casos específicos produza resultados úteis para a compreensão de outros casos. Poucos acreditam que os cientistas sociais acessam facilmente a realidade externa; ainda menos são os que creem que a realidade não existe. Do lado positivista, os pesquisadores reconhecem a importância de conceitos e teorias como filtros entre a realidade e nosso conhecimento dela. Do lado construtivista, os pesquisadores raramente abandonam a busca por algum conhecimento intersubjetivo, mesmo que contextual e contestado. O realismo crítico fornece um meio-termo plausível com justificação intelectual rigorosa (Bhaskar 2002), em torno do qual diversas posições se articulam.
3.2 A falsa dicotomia indução/dedução e a hibridação dos métodos [§23–§25]
Além do equilíbrio entre leis generalizáveis e conhecimento contextual, as preferências dos pesquisadores variam nos meios de atingi-lo. O debate entre construção indutiva e dedutiva de teorias atravessa positivistas e construtivistas, mas a própria distinção parece exagerada. O que se descreve como abordagem dedutiva — partir de uma teoria e testá-la empiricamente — não é verdadeiramente dedutiva, pois a dedução pura procede inteiramente por raciocínio a partir de premissas; trata-se, na prática, de uma abordagem hipotético-dedutiva que combina teoria pura e evidência empírica. Ademais, as hipóteses iniciais são quase sempre construídas com base em pesquisas anteriores, de modo bastante indutivo. Da mesma forma, a maioria das pesquisas indutivas parte de questões teóricas e as produz sem descartar o conhecimento acumulado. Os teóricos da grounded theory, que buscaram um caminho intermediário entre dedução e indução (Glaser e Strauss 1999), estão internamente divididos quanto ao equilíbrio entre os dois.
Becker (1996, pp. 53–54) articula com precisão a interdependência dos dois estilos: “dois estilos de trabalho colocam ênfases diferentes na compreensão de casos históricos ou etnográficos específicos versus leis gerais de interação social. Mas os dois estilos também implicam um ao outro. Toda análise de um caso repousa, explícita ou implicitamente, em alguma lei geral, e toda lei geral supõe que a investigação de casos particulares mostraria essa lei em operação.” Quando se olha para os métodos, as nuances e combinações são ainda mais evidentes: os métodos quantitativos também exigem observação qualitativa, e a análise qualitativa frequentemente faz referência a quantidades. Estratégias de métodos mistos combinando designs de N grande e N pequeno, bem como triangulação, são cada vez mais aplicadas na prática. A narrativa que opõe epistemologia positivista e métodos quantitativos a epistemologia interpretativa e métodos qualitativos merece ser questionada: a etnografia e os métodos qualitativos também têm forte orientação para o conhecimento da realidade externa, enquanto os métodos quantitativos são igualmente utilizados para investigar percepções subjetivas.
3.3 Clivagens transversais: unidade de análise, estrutura e agência [§26]
Desacordos que atravessam as divisões epistemológicas e metodológicas tradicionais referem-se também às melhores unidades de análise para a pesquisa empírica. Individualistas ontológicos insistem que apenas indivíduos existem; individualistas metodológicos consideram que apenas indivíduos podem agir; relacionistas focam nas interações sociais; institucionalistas tratam sistemas complexos. Além das preferências pessoais, é comum que unidades de análise sejam combinadas em designs multiníveis, tanto em pesquisa qualitativa quanto quantitativa, com a escolha do indivíduo ou da coletividade ajustada à pergunta em questão. Da mesma forma, o conflito tradicional entre estrutura e agência atravessa outras divisões, assim como os debates entre a capacidade explicativa suprema das estruturas econômicas versus valores, ou interesse versus normas — divisões que cortam fronteiras epistemológicas e metodológicas.
4 Diversidade Profunda (pp. 7–8)
4.1 O pluralismo como campo contestado e a analogia com as ciências naturais [§27–§30]
Caterino e Schram (2006, p. 4) descrevem o estado atual da ciência política como caracterizado por um “pluralismo restrito ou hegemonia parcial que limita a diversidade metodológica” e trata o próprio pluralismo metodológico como questão altamente contestável. Uma abordagem frequente assume a forma de tolerância liberal — uma coexistência pacífica ou mesmo pluralismo provisório em que a diversidade de pontos de vista enriquece a disciplina, mas em que se espera que o mercado de ideias faça a verdade prevalecer sobre o erro. No nível mais básico, presume-se que deve haver consenso sobre ontologia e epistemologia.
Ironicamente, as ciências naturais demonstraram não apenas a persistência de controvérsias sobre os fundamentos do conhecimento, mas também como as controvérsias são elas próprias geradoras de conhecimento científico. A física, por exemplo, conviveu durante longo tempo com três paradigmas incomensuráveis: a mecânica newtoniana (nível meso do cotidiano), a teoria quântica (nível micro) e a relatividade (nível macro). Rescher (1993, p. 41) é citado: “não há nenhum esquema de conceitos simples, único e idealmente adequado para ‘descrever o mundo.’” Polkinghorne (2002) é mobilizado para ilustrar que, para alguns cientistas naturais, a incerteza é um princípio ontológico, enquanto para outros é apenas um problema epistemológico. Della Porta e Keating concluem que, se a diversidade caracteriza as ciências naturais, ela é ainda mais marcante nas ciências sociais.
4.2 O pluralismo metodológico como recusa ao teleologismo disciplinar [§31–§33]
A visão pluralista implica suposições sobre como as disciplinas são percebidas e sobre a narrativa de sua evolução. O pluralismo metodológico reconhece que, no desenvolvimento das ciências sociais, uma pluralidade de pontos de vista não apenas coexistiu, mas esteve frequentemente em diálogo. As escolhas de métodos e metodologias não derivam rigidamente de posições epistemológicas ou ontológicas assumidas; na maior parte do tempo, são feitas por razões mais contingentes e pragmáticas: disponibilidade de bases de dados, necessidade de comparação, colaboração entre pesquisadores com habilidades distintas, estado da arte numa subárea, disponibilidade de financiamento e competências individuais. Atenção aos elos micro-meso-macro e aos mecanismos causais frequentemente impulsiona combinações de diferentes unidades de análise e teorias relacionadas. Assim, as preferências epistemológicas são frequentemente construídas “em ação,” de modo pragmático, e/ou permanecem implícitas no design de pesquisa. Por isso, a abordagem metodologicamente pluralista rejeita a narrativa teleológica ou linear de institucionalização e consolidação de paradigmas; o progresso no desenvolvimento do conhecimento representa, nessa visão, um processo dialético de desafio, incorporação e adaptação.
Os autores sintetizam: os cientistas sociais têm opiniões diferentes sobre questões centrais do processo de pesquisa, que não se alinham numa clivagem facilmente definível como positivistas versus interpretativismo, e muito menos na que separa métodos quantitativos de qualitativos. Há não apenas uma escolha (e o correspondente Methodenstreit), mas uma pluralidade de escolhas e debates. A presença de múltiplos pontos de contencioso torna o diálogo entre diferentes posições, até certo ponto, mais fácil. Assim como nas teorias pluralistas da política de grupos, conflitos sobrepostos implicam filiações sobrepostas e, portanto, fronteiras impermeáveis; nenhuma das questões em disputa pode ser definida como escolha dicotômica, sendo praticada antes como um contínuo.
5 Onde Está a Ciência Política Agora? (pp. 8–9)
5.1 Os “giros” recentes e a abertura do terreno médio [§34–§38]
Quinze anos após a publicação do livro original, os autores fazem um balanço. As guerras metodológicas arrefeceram e há mais aceitação do pluralismo (Grossmann 2021). Os cientistas sociais tornaram-se mais conscientes de que suas próprias disciplinas podem ser produtos de tempos e lugares particulares, e não conjuntos de leis universais. Uma série de “giros” nas ciências sociais e naturais abriu terreno médio ontológico e epistemológico e canais de comunicação.
O giro construtivista abordou um dos problemas mais antigos da filosofia: a natureza da realidade e como podemos conhecê-la. A maioria dos construtivistas não nega que existe um mundo lá fora — apenas que ele não é diretamente acessível —, enquanto os positivistas podem aceitar que trabalham com conceitos e abstrações que não devem ser reificadas. O giro relacional (Goodin e Tilly 2006) desloca a unidade de análise: nem o indivíduo socialmente desencaixado nem a comunidade reificada, mas as relações entre humanos e sua relação com a natureza. Há paralelo na física, onde a busca pela partícula última pode, segundo alguns, ceder lugar à compreensão de relações como unidades de análise em si mesmas (Rovelli 2021). O giro normativo reintroduziu questões de valor na análise da realidade social e política, em várias formas: a aceitação de que muitos conceitos são normativamente carregados (democracia é o exemplo dado), a integração de normas nas compreensões da motivação e a retomada da filosofia política. Um efeito foi o aumento da capacidade da ciência política de tratar questões de política pública sem pretender oferecer análise preditiva e causal — fazendo o que ela faz melhor (Flyvbjerg 2001).
5.2 O giro contextual, a internacionalização e o debate de relevância [§39–§41]
O giro contextual (Goodin e Tilly 2006) implicou o reconhecimento de que nem todas as diferenças entre os sujeitos da pesquisa social podem ser controladas para permitir a descoberta de regras universais. Há um movimento em direção a explicações mais limitadas no tempo e no espaço (Grossmann 2021), entre a análise idiográfica de casos e a universalização inviável. O próprio estudo de caso foi reabilitado — alguns dos maiores avanços na teoria social resultaram de estudos de caso (Vennesson 2008). Houve também uma internacionalização da ciência política: no pós-guerra, o fluxo dominante de transferência ia dos EUA para o resto do mundo, mas hoje há mais reconhecimento das possibilidades de enriquecimento mútuo e da importância de incorporar reflexões de acadêmicos do mundo inteiro.
O debate sobre relevância foi impulsionado pela necessidade de financiamento, preocupações com excesso de formalização e abstração, crescimento dos estudos de política pública e instrumentos como a avaliação de “impacto” no sistema britânico de financiamento à pesquisa. Há um risco de estreitamento de perspectiva se relevância e impacto forem concebidos apenas em relação às necessidades de governos e empresas. Por outro lado, o debate colocou questões sobre quem recebe o quê em novas formas, incluindo relevância para grupos menos privilegiados, e levantou questões de ontologia e epistemologia sobre até que ponto praticantes e acadêmicos compartilham esquemas conceituais.
5.3 Os debates de “trazer de volta” e o novo institucionalismo [§42–§45]
A ciência política foi enriquecida pelos sucessivos debates de “trazer de volta” (bringing back in), mas esses também expuseram seus pontos fracos. Com frequência excessiva, cientistas políticos introduzem conceitos já presentes em outras disciplinas — sem abraçar os achados dessas disciplinas — tentando encaixá-los em seus próprios paradigmas: “reinventando a roda.” Assim ocorreu com o estado, com a história (trazida de volta via institucionalismo histórico, path dependency e conjunturas críticas, frequentemente tratados como variáveis causais ontologicamente dadas, ignorando que a história é sempre contestada e fruto de revisão e re-revisão motivadas pelas preocupações do presente — Gaddis 2002; Braudel 1958) e com ideias, ideologia e identidade. Ideias foram reintroduzidas como corretivo às teorias materialistas de escolha racional, mas frequentemente subordinadas à lógica causal positivista dominante, como se fosse possível avaliar o peso relativo de interesses e ideias na explicação das ações — ignorando que ideias e interesses são mutuamente constitutivos.
O novo institucionalismo (Goodin e Klingemann 1996) articula vários desses temas, incluindo valores, normas e a importância da história. Por ter ecos em outras disciplinas — economia, sociologia, direito, geografia —, abriu novas avenidas para o aprendizado interdisciplinar e ajudou a superar o abismo entre ontologias individualistas e coletivas, localizando indivíduos em estruturas sociais mais amplas. Seu valor em unir abordagens díspares, contudo, foi comprometido pelo concept-stretching em que quase qualquer processo social se torna uma instituição (Bartolini 2022).
6 Rumo ao Pluralismo (pp. 10–11)
6.1 A construção histórica da ciência política e seus limites [§46–§48]
Um problema central, segundo os autores, é que a ciência política tal como a conhecemos foi desenvolvida para analisar uma entidade historicamente específica — o Estado soberano — inserida num tipo específico de sociedade, e nutriu ambições de universalismo e status científico baseados na ideia de progresso. As transformações nas últimas décadas no Estado e na sociedade desafiaram essas compreensões. O surgimento de preocupações pragmáticas (como nos estudos de gênero e na necessidade prática dos juristas de tomar decisões com consequências concretas) está entre as condições que abriram espaço para o pluralismo. Por outro lado, declarações sobre a superioridade de uma metodologia específica frequentemente coincidem com momentos em que a patrulha das fronteiras disciplinares parece mais crucial.
Della Porta e Keating argumentam que as disciplinas não são dadas nem imutáveis: são construídas e reconstruídas como consequência de encontros contingentes, escolhas políticas e lutas políticas. Isso não significa que as disciplinas devam ser abolidas — elas fornecem esquemas vitais de análise —, mas sim que abordagens concorrentes devem ser reconhecidas. O pluralismo é defendido não apenas como resposta necessária a condições dadas, mas como valor positivo em si mesmo, dada sua capacidade de enriquecer a pesquisa por encorajar o aprendizado recíproco e a acumulação crítica de conhecimento. A ciência social não deve jamais tornar-se prisioneira de nenhuma ortodoxia, renovando-se continuamente a partir de outras disciplinas, de novos desenvolvimentos e pela revisão de seu próprio passado.
6.2 O pluralismo como posição normativa, não como ecletismo [§49–§52]
Os autores enfrentam diretamente o desafio formulado por Craig Parsons (no mesmo volume): como exatamente se pratica o pluralismo metodológico? Sua resposta é que essa é a pergunta errada — o próprio conceito de pluralismo exclui um livro de receitas único. Em qualquer empreendimento científico, é necessário sustentar diálogo e conversação, o que exige compromisso com alguns padrões de lógica e evidência. Isso não significa concordar com um significado e operacionalização comuns dos conceitos, pois argumentar sobre conceitos é frequentemente uma das formas pelas quais o entendimento avança. Nesse sentido, o pluralismo metodológico não é uma metodologia ou epistemologia adicional; é uma posição normativa sobre a ciência social, baseada também em observações históricas sobre como o conhecimento se desenvolveu.
O pluralismo que os autores defendem não é relativismo ou indiferença — em que qualquer abordagem é tão boa quanto qualquer outra e não há base para escolha entre elas. As abordagens devem se desafiar mutuamente e se defender com base em sua utilidade para responder às perguntas que colocam. A analogia com o pluralismo na teoria política liberal contemporânea é explicitada: o pluralismo social e cultural é um ativo que enriquece potencialmente a experiência da sociedade e dos indivíduos, desde que as culturas diversas interajam sem se isolar nem se dissolver num melting pot. De modo similar, a interação entre abordagens metodológicas pode produzir sínteses, mas o objetivo não é a criação de uma teoria unificada que sufocaria o desenvolvimento da disciplina, mas o desenvolvimento de conhecimento mútuo.
6.3 Desafios remanescentes e a agenda futura [§53–§55]
Permanecem desafios a serem enfrentados. Por um lado, os pesquisadores parecem ser exigidos a tornarem-se polímatas, abrangendo todas as disciplinas e uma gama impossível de literatura — o que não é nem viável nem particularmente desejável. O importante é acolher outras abordagens e disciplinas onde for pertinente, especialmente quando já examinaram as questões em causa. Do contrário, condenamo-nos a uma perene reinvenção de conceitos antigos sob novos nomes. Por outro lado, há o risco de que a especificidade da política se perca ao dissolver-se em disciplinas vizinhas ou num amálgama desordenado. Bartolini (2022) buscou recentemente resgatar os conceitos de política e instituições desse destino, advertindo que a política não pode ser reduzida a outras coisas, como a troca de mercado, constituindo um modo específico de regular os assuntos humanos, ligado a decisões vinculantes para toda a população.
Os debates sobre como implementar e desenvolver o pluralismo metodológico devem, então, permanecer abertos. Concordar que o pluralismo “não é concordar em discordar em nome da paz” (Parsons, no mesmo volume), envolver-se com o mais amplo leque possível de alternativas e abordar a necessidade de “tradutores” entre várias divisões por meio do engajamento cívico (Moses Box-Steffensmeier, no mesmo volume) são sugestões importantes para avançar as reflexões sobre a implementação do pluralismo metodológico. A contribuição dos autores, segundo eles mesmos notam, tem sido apreciada em muitas disciplinas bem além da ciência política — o que é promissor para o aumento do potencial de pesquisa transdisciplinar sobre os problemas sociais e políticos mais críticos.
7 Argumento Sintético
Ficha Analítica Crítica
Esta seção segue o formato IA Planilhando Textos v11.0. A análise é adversarial sem ser destrutiva: identifica vulnerabilidades reais do argumento e reconhece contribuições genuínas com a mesma precisão. O raciocínio analítico subjacente a cada dimensão é explicitado em itálico antes do conteúdo, separado por linha horizontal.
| Questão de Pesquisa | O texto não formula explicitamente uma pergunta de pesquisa no sentido convencional; trata-se de um capítulo introdutório de handbook. A pergunta deve ser reconstruída a partir dos objetivos declarados pelos autores.
Pergunta reconstruída: Em que medida as escolhas ontológicas, epistemológicas, metodológicas e de método nas ciências sociais — e em particular na ciência política — formam blocos coesos e excludentes, e o que justifica uma posição normativa favorável ao pluralismo metodológico em vez da busca por um paradigma unificador? A questão é de natureza conceitual-normativa: avalia a validade filosófica e histórica de uma posição sobre como a ciência social deve ser praticada. |
|---|---|
| Questões Secundárias | O capítulo organiza-se em torno de várias subquestões que sustentam o argumento central: (a) a questão descritiva sobre onde a ciência política está hoje; (b) a questão histórica sobre como o campo evoluiu; (c) a questão filosófica sobre os fundamentos do pluralismo.
1. Qual é o estado atual das "guerras metodológicas" na ciência política, e os giros recentes efetivamente abriram terreno médio? (descritiva/diagnóstica) 2. As dicotomias qualitativo/quantitativo e positivismo/interpretativismo são analiticamente sustentáveis ou são simplificações? (conceitual) 3. As ciências naturais fornecem um modelo adequado para as ciências sociais? (analógica) 4. Como o pluralismo metodológico se distingue do ecletismo, do relativismo e da mera tolerância liberal? (normativa) 5. Como implementar o pluralismo em projetos individuais? (operacional — declarada como agenda aberta) |
| Puzzle-Type | O puzzle é de natureza normativo-conceitual: não há anomalia empírica a explicar, mas uma tensão entre a prática diversificada da pesquisa social e as prescrições metodológicas monistas que circulam no campo. A pergunta sobre a genuinidade do puzzle e sua generalizabilidade é pertinente.
O puzzle central é um debate normativo sobre standards disciplinares: dado que a prática real da pesquisa nas ciências sociais é diversa e que as clivagens metodológicas não se alinham de modo determinado, por que persiste a pressão por um paradigma unificador, e essa pressão é justificada? O puzzle é genuíno e generalizável — atravessa ciência política, sociologia, antropologia, economia política e estudos de relações internacionais. Sua força argumentativa, contudo, depende em parte da premissa de que as clivagens são mais fluidas do que prescrições monistas supõem — premissa que, embora plausível, é mais demonstrada por exemplos selecionados do que por mapeamento sistemático do campo. |
| Conclusão / Argumento Central | A tese é normativa, não causal. O claim of discovery é a formulação positiva do pluralismo como valor — não apenas tolerância necessária, mas ativo epistêmico. O que efetivamente sustenta esse claim são: (a) a revisão da literatura filosófico-metodológica; (b) a demonstração da diversidade interna das ciências naturais como contra-argumento à analogia positivista; (c) observações históricas sobre a evolução da disciplina.
Tese: O pluralismo metodológico é uma posição normativa justificada — não por relativismo, mas porque a diversidade de ontologias, epistemologias, metodologias e métodos é uma característica positiva e irredutível das ciências sociais que enriquece o conhecimento. Ele implica rigor argumentativo e autocrítica constante, e se distingue do ecletismo e do relativismo. O claim of discovery é a rejeição da premissa de que existe uma relação determinada entre posição ontológica e escolha metodológica — sustentada por evidências textuais e históricas, não por dados originais. A natureza do argumento é predominantemente conceitual e normativa. |
| Métodos | Trata-se de ensaio teórico-revisional. Não há coleta de dados empíricos nem design de pesquisa inferencial. A estratégia argumentativa combina revisão de literatura filosófico-metodológica, análise conceitual e argumentação histórica. A avaliação deve adaptar-se a esse tipo de design.
Tipo de estudo: Ensaio teórico-revisional de abertura de handbook. Não há dados originais, experimentos ou análise estatística. A estratégia argumentativa é: (1) revisão crítica da literatura sobre ontologia, epistemologia e metodologia nas ciências sociais; (2) análise de exemplos históricos e disciplinares para desconstruir as dicotomias dominantes; (3) argumentação normativa em favor do pluralismo como posição filosófica. As limitações de identificação típicas de designs causais não se aplicam; o design é avaliado pela coerência lógica das premissas às conclusões e pela representatividade da literatura mobilizada. |
| Data Generation Process (DGP) | Não há DGP no sentido técnico. O "fenômeno" estudado é a estrutura normativa e prática da pesquisa em ciências sociais. A "observação" é a leitura crítica da literatura e a experiência dos próprios autores como pesquisadores e editores de handbook.
Fenômeno: A prática e a estrutura normativa da pesquisa metodológica nas ciências sociais. Observação: Revisão da literatura filosófico-metodológica e análise histórica da evolução disciplinar. Coleta: Seleção não-sistemática de obras seminais e debates recentes (não há protocolo de revisão sistemática declarado). Unidade de análise: A disciplina (ciência política) e o campo (ciências sociais) como entidades coletivas. Nível de agregação: Macro-disciplinar. Tipo de inferência: Normativa e analógica — não causal no sentido inferencial. |
| Achados e Contribuições | Os "achados" são conceituais, não empíricos. Sua força está na articulação e na organização do argumento, não em evidências independentes.
1. A taxonomia de cinco níveis (ontologia → epistemologia → abordagem → metodologia → método) e a demonstração de que a relação entre eles não é determinada constituem contribuição conceitual clara e bem estruturada. 2. A mobilização da diversidade interna das ciências naturais para desconstruir a analogia positivista é argumentativamente eficaz. 3. A distinção entre pluralismo como característica do sistema e pluralismo em projetos individuais é conceitualmente produtiva. 4. A formulação do pluralismo como posição normativa positiva — e não como mera tolerância passiva — é a contribuição central do capítulo, atualizando Della Porta e Keating (2008) à luz dos "giros" recentes. |
| Análise Crítica dos Achados | A vulnerabilidade central do argumento é a tensão entre sua ambição normativa positiva e a ausência de critérios operacionalizáveis para distinguir pluralismo legítimo de ecletismo. Além disso, a mobilização de exemplos das ciências naturais é ilustrativa, não demonstrativa.
Pontos mais vulneráveis: (a) A questão da operacionalização permanece em aberto por escolha declarada. Os autores reconhecem a crítica de Parsons — "como exatamente se faz pluralismo metodológico?" — e a rejeitam como a pergunta errada. Essa recusa é coerente com a posição normativa, mas enfraquece a utilidade prática do argumento para pesquisadores em formação que precisam de orientação concreta para suas escolhas de design. (b) A seleção da literatura não é sistemática. Os exemplos mobilizados — física quântica, relatividade, newtonian mechanics — são ilustrativos, não demonstrativos. Um crítico poderia argumentar que os próprios autores escolhem os exemplos que confirmam sua tese, incorrendo em viés de confirmação. (c) A distinção entre pluralismo e relativismo é afirmada, mas subteorizada. O texto diz que o pluralismo "não é relativismo" e que abordagens devem "se defender com base em sua utilidade para responder às perguntas que colocam" — mas não desenvolve o critério de avaliação que permitiria discriminar abordagens mais ou menos adequadas a uma dada pergunta sem recair em critérios de uma tradição específica. Pontos mais sólidos: A desconstrução da dicotomia qualitativo/quantitativo e positivismo/interpretativismo é bem sustentada; a demonstração de que clivagens são cruzadas e não alinháveis em dois blocos é convincente. A atualização via "giros" recentes é oportuna. |
| Limitações | Distinguir limitações reconhecidas das não reconhecidas é relevante para avaliar a honestidade intelectual do texto e seu potencial de uso crítico.
(a) Reconhecidas pelos autores: — A ausência de um "livro de receitas" para a prática do pluralismo em projetos individuais é explicitamente reconhecida. — O risco de que pesquisadores sejam exigidos a tornarem-se polímatas inviáveis é apontado como tensão não resolvida. — O risco de dissolução da especificidade da política em disciplinas vizinhas é mencionado com referência a Bartolini (2022). (b) Não reconhecidas ou subestimadas: — A perspectiva dos autores é predominantemente europeia-continental (EUI, ciência política europeia); a dimensão do debate norte-americano é tratada sobretudo como referência negativa (positivismo dominante), o que pode subrepresentar tradições críticas dentro da ciência política americana. — O texto não discute as condições institucionais que tornam o pluralismo mais ou menos viável — mercados de trabalho acadêmico, sistemas de avaliação de pesquisa, regimes de financiamento —, que são precisamente as condições que Caterino e Schram (2006) identificam como restrições ao pluralismo real. — A afirmação de que as "guerras metodológicas" arrefeceram (Grossmann 2021) é apresentada como dado, sem qualificação contextual: o arrefecimento pode ser mais visível na Europa e em tradições qualitativas do que em departamentos norte-americanos orientados por rankings de publicação que premiam designs quantitativos. |
| Perspectiva Teórica | O capítulo se situa em tradição meta-metodológica com raízes no pragmatismo filosófico, no realismo crítico e na filosofia da ciência pós-kuhniana. A coerência entre ontologia implícita e método é uma questão pertinente aqui.
Os autores operam a partir de uma perspectiva que combina elementos de realismo crítico (Bhaskar 2002 como "terreno médio plausível"), pragmatismo filosófico (escolhas metodológicas são frequentemente contingentes e feitas "em ação") e filosofia da ciência pós-kuhniana (a ciência avança por diversidade e controvérsia, não por convergência paradigmática). A moldura é adequada ao tipo de pergunta: uma questão normativa sobre o status do pluralismo não exige nem seria bem servida por uma epistemologia monista. A coerência interna é satisfatória — os autores não prescrevem métodos específicos ao mesmo tempo em que defendem o pluralismo. Uma tensão menor: ao recorrer ao realismo crítico como "plausível terreno médio," os autores implicitamente privilegiam essa tradição, o que poderia ser visto como inconsistente com a posição pluralista estrita. Essa tensão não é desenvolvida no texto. |
| Principais Referências | A identificação de diálogos pobres ou desequilibrados é relevante para avaliar a amplitude do argumento.
Centrais: Della Porta e Keating (2008) — obra-mãe revisitada; King, Keohane e Verba (1994) — posição criticada; Kuhn (1962) — estrutura paradigmática; Bhaskar (2002) — realismo crítico; Geertz (1973) — humanismo interpretativo; Giddens (1976) — dupla hermenêutica; Grossmann (2021) — diagnóstico do arrefecimento das guerras metodológicas; Bartolini (2022) — especificidade da política; Goodin e Tilly (2006) — giro contextual e relacional. Diálogos ausentes ou subrepresentados: — A tradição de philosophy of social science analítica (Elster, Little, Mahoney) é pouco mobilizada, o que poderia enriquecer a discussão sobre mecanismos causais e explanation. — A literatura sobre mixed methods de modo mais técnico (Creswell, Tashakkori, Teddlie) é mencionada criticamente mas não desenvolvida. — Contribuições do Sul Global e de tradições não ocidentais à metodologia das ciências sociais estão ausentes, a despeito da menção à internacionalização da disciplina. |
| Observações | Avaliações de alcance e relevância para a pesquisa do leitor, especialmente em institucionalismo comparado e política educacional.
Para pesquisa em institutionalismo comparado e política educacional: O capítulo é útil como referência meta-metodológica para justificar designs de pesquisa que combinam análise qualitativa-histórica com inferência causal mais formal — exatamente o tipo de triangulação metodológica que pesquisas sobre mudança institucional e política de cotas frequentemente demandam. A taxonomia dos cinco níveis (ontologia → epistemologia → abordagem → metodologia → método) é uma ferramenta útil para explicitação e defesa de escolhas de pesquisa em bancas e textos metodológicos. Lacunas com implicações para o argumento: A ausência de critérios concretos para distinguir combinações metodológicas produtivas de combinações incoerentes é a lacuna mais relevante para pesquisadores aplicados. O texto oferece justificativa filosófica para o pluralismo, mas não ferramentas para navegar decisões de design em situações concretas. Validade externa: O argumento é construído com alto nível de abstração e generalidade, o que lhe confere boa validade externa em termos de alcance disciplinar, mas a pouca atenção às condições institucionais que constrangem ou habilitam o pluralismo na prática limita sua aplicabilidade imediata a contextos específicos (departamentos fortemente quantitativistas, sistemas de avaliação de pesquisa como o REF britânico). |
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