Fichamento: Engines of Growth: Essays in Swedish Economic History
Thor Berger (2016)
Berger, T. (2016). Engines of growth: Essays in Swedish economic history [Tese de doutorado, Lund University]. Lund Studies in Economic History 78.
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Última atualização: 2026-04-20
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Escopo deste turno: Capítulo introdutório (pp. 1–50) que apresenta a tese, contextualiza historicamente, discute fontes e sumariza os quatro artigos que compõem a dissertação.
Ficha Analítica Crítica
Esta seção segue o formato IA Planilhando Textos v15.0.
2 Introdução (pp. 1–10)
2.1 Apresentação da tese e panorama geral [§1–§2]
A dissertação de Thor Berger, intitulada Engines of Growth: Essays in Swedish Economic History, investiga a transformação econômica da Suécia entre o século XVIII e a Primeira Guerra Mundial. O autor destaca que, no início do século XIX, a Suécia era um país pobre e subdesenvolvido, com salários reais muito abaixo dos níveis britânicos, franceses ou alemães, e mais de 90% da população empregada na agricultura. Um século depois, a economia sueca havia se transformado radicalmente, colocando o país na trajetória para se tornar uma das nações mais ricas do mundo (p. 9). Berger anuncia que a contribuição central da dissertação é o uso de dados históricos combinados com uma abordagem empírica quantitativa para identificar os principais determinantes do crescimento durante essa transformação. A análise explora dados regionais e métodos quase-experimentais, alinhando-se a uma mudança metodológica recente na história econômica que privilegia experimentos naturais para identificar relações causais (p. 9). A dissertação é composta por um capítulo introdutório e quatro artigos independentes que examinam diferentes aspectos dessa transformação: o impacto da batata, os determinantes do investimento em educação em massa e o papel da rede ferroviária nacional no desenvolvimento rural e urbano.
2.2 Justificativa para a abordagem regional [§3–§5]
O autor dedica uma seção a motivar a perspectiva regional adotada nos artigos. Argumenta que o crescimento no século XIX ocorreu ao longo de linhas regionais e que as vastas diferenças de renda que se abriram dentro das nações antes da Primeira Guerra Mundial são difíceis de conciliar com explicações que enfatizam apenas fatores nacionais (p. 11). Berger revisa seletivamente a literatura sobre desenvolvimento regional histórico, destacando o papel da geografia, do capital humano e dos investimentos em infraestrutura de transporte. Ele critica as explicações nacionais por introduzirem um viés de agregação significativo e por não capturarem a realidade histórica da industrialização europeia. A abordagem regional, ao contrário, permite comparar unidades dentro do mesmo país, mantendo constantes fatores institucionais e culturais que são difíceis de mensurar, reduzindo preocupações com relações espúrias (p. 13). Berger cita trabalhos recentes que exploram variação within‑country para identificar o papel de instituições, capital humano e capital social, reforçando a utilidade metodológica da perspectiva regional.
2.3 Fontes de crescimento regional: primeira e segunda natureza [§6–§9]
Berger revisita o debate sobre os determinantes da distribuição espacial da atividade econômica, distinguindo entre vantagens de “primeira natureza” (geografia física) e de “segunda natureza” (economias de aglomeração). Ele observa que, antes da era industrial, fatores como potencial agrícola e acesso a transporte aquático dominavam a localização econômica. Cita o estudo de Nunn e Qian (2011) sobre a batata como exemplo de como uma vantagem de primeira natureza – terras aptas ao cultivo da batata – afetou o crescimento populacional e a urbanização no Velho Mundo após o Intercâmbio Colombiano (p. 14). Com a Revolução Industrial, o carvão tornou-se um fator locacional crucial, como evidenciado pelo trabalho de Fernihough e O’Rourke (2014). Entretanto, Berger enfatiza que as forças de “segunda natureza” – derivadas da própria concentração da atividade econômica – ganharam importância relativa à medida que os custos de transporte caíram. Ele introduz o conceito de economias de aglomeração (Marshall, 1890) e o problema de coordenação que pode gerar equilíbrios múltiplos (Krugman, 1991), implicando que acidentes históricos podem afetar permanentemente a distribuição espacial da economia. A questão central, portanto, é se a geografia de primeira ou de segunda natureza determina os padrões observados. Berger cita o estudo de Bleakley e Lin (2012) sobre cidades portuárias nos EUA como evidência de path dependence, enquanto Davis e Weinstein (2002, 2008), ao examinarem o bombardeio de cidades japonesas na Segunda Guerra, encontram pouco efeito de longo prazo, sugerindo predominância da primeira natureza.
2.4 Capital humano, instituições locais e difusão da escolarização em massa [§10–§13]
Nesta subseção, Berger aborda o papel do capital humano. Ele nota que, embora as teorias modernas de crescimento coloquem o capital humano no centro, os relatos tradicionais da Revolução Industrial minimizam seu papel, dada a inadequação do sistema educacional britânico. Contudo, uma literatura recente documenta a importância crucial do capital humano nos países seguidores, mostrando que regiões com maior alfabetização e mais escolas industrializaram-se mais rapidamente (Becker et al., 2011; Franck e Galor, 2015; Squicciarini e Voigtländer, 2015). Esse reconhecimento renovado levou ao interesse pelos determinantes da difusão desigual da escolarização em massa no século XIX. Berger destaca a abordagem bottom‑up de Lindert (2004), que enfatiza o controle descentralizado sobre impostos e escolas, permitindo que regiões com maior demanda por educação avançassem sem entraves de elites nacionais. A literatura subsequente explora o papel da desigualdade fundiária e do poder político das elites como barreiras à educação (Galor et al., 2009; Cinnirella e Hornung, 2016), mas também encontra evidências de que elites apoiaram a escolarização por motivos de controle social ou favoritismo étnico (Cvrcek e Zajicek, 2013). Berger conclui que os determinantes da expansão educacional variam conforme o contexto e exigem estudos empíricos cuidadosos de casos nacionais.
2.5 Desenvolvimento econômico local e a “revolução dos transportes” [§14–§18]
A última parte da revisão da literatura concentra-se no impacto da “revolução dos transportes” do século XIX, com foco nas ferrovias. Berger cita Pollard (1981) para afirmar que industrialização significa produção em massa e, portanto, acesso a mercados de massa, tornando a revolução dos transportes um correlato necessário. No entanto, a literatura cliométrica inicial, notadamente Fogel (1964), encontrou pouco suporte para a indispensabilidade das ferrovias para o crescimento econômico nacional. Mais recentemente, historiadores econômicos voltaram-se para quantificar os impactos locais das ferrovias, enfrentando o desafio empírico central destacado por Fishlow (1965): as ferrovias foram construídas para conectar lugares já em rápido crescimento, ou elas próprias desencadearam esse crescimento? Berger revisa evidências de que as ferrovias “puseram em movimento” forças que moldaram o desenvolvimento local, promovendo melhorias agrícolas, a transição para a fábrica e a urbanização nos EUA (Atack et al., 2008, 2010; Atack e Margo, 2011), bem como aceleraram o crescimento urbano e a integração de mercado na Europa (Keller e Shiue, 2008; Hornung, 2015). Contudo, ele também aponta que, de acordo com modelos da Nova Geografia Econômica, a queda nos custos de transporte pode empobrecer áreas periféricas ao concentrar a atividade manufatureira em poucas regiões (Krugman, 1991c; Tang, 2014; Gutberlet, 2014). Assim, o impacto agregado sobre a desigualdade regional é ambíguo.
3 Contexto histórico (pp. 20–30)
3.1 A transição econômica da Suécia até a Primeira Guerra Mundial [§19–§27]
Berger fornece um panorama da evolução da economia sueca entre 1750 e 1914. Ele apresenta a Figura 1.1 (p. 21) com séries de PIB per capita, população e salários reais, mostrando estagnação na segunda metade do século XVIII, crescimento sustentado a partir da primeira metade do século XIX (0,3‑0,4% ao ano) e aceleração para 1,9% ao ano entre 1870 e 1910, a taxa mais alta entre os países da Europa Ocidental. O crescimento foi impulsionado por acumulação de capital e aumentos da produtividade total dos fatores (PTF). Os salários reais, que haviam estagnado, passaram a crescer secularmente, convergindo com os das economias líderes. A transformação foi tanto setorial (da agricultura para a indústria) quanto baseada em ganhos de produtividade dentro dos setores. Berger descreve a “revolução agrícola” entre meados do século XVIII e meados do XIX, associada ao Movimento dos Cercamentos (Enclosure Movement), que individualizou as decisões de produção e promoveu a adoção de novas culturas (incluindo a batata), ferramentas e técnicas. A área cultivada dobrou e a Suécia passou de importadora a exportadora líquida de grãos.
3.2 Primeira industrialização e o papel dos transportes [§28–§32]
A transformação agrícola criou demanda por bens manufaturados e oferta de trabalho, alimentando o proto‑industrialização rural e o crescimento da indústria têxtil. No entanto, a Suécia ainda estava muito atrás do resto da Europa Ocidental em termos de desenvolvimento industrial por volta de 1860, como mostra a Tabela 1.2 (p. 24). O breakthrough do crescimento econômico moderno ocorreu na segunda metade do século XIX, com investimentos em infraestrutura e industrialização. As ferrovias, cuja construção começou na década de 1850, absorveram cerca de um terço do investimento total da economia na segunda metade do século. A demanda externa por recursos naturais suecos – aveia e madeira, especialmente – alimentou booms de exportação, com a indústria madeireira crescendo em um ritmo descrito por Heckscher (1954) como sem paralelo na história sueca anterior. A década de 1870 é considerada um divisor de águas, com a industrialização se diversificando para setores mais sofisticados (química, bens de consumo, engenharia mecânica) e firmas como L.M. Ericsson e SKF sendo fundadas.
3.3 Padrões regionais de crescimento durante a industrialização [§33–§38]
Berger analisa a evolução da desigualdade regional, testando a hipótese de Williamson (1965) de que as disparidades regionais aumentam nos estágios iniciais da industrialização e diminuem com o desenvolvimento. Usando dados de salários nominais de trabalhadores rurais por condado entre 1803 e 1913 (Figura 1.2, p. 26), ele mostra que a desigualdade regional de fato cresceu até a década de 1870, refletindo a transformação agrícola desigual, avanços industriais localizados e o subdesenvolvimento do sistema de transportes. Antes das ferrovias, o transporte terrestre era sazonal e caro, limitando o tamanho das cidades e a integração de mercado. A partir da década de 1870, com a extensão da rede ferroviária e a integração dos mercados, a desigualdade regional começou a diminuir, um padrão relativamente único na Europa da época. Berger atribui essa redução à localização fortuita de recursos naturais nas regiões periféricas do norte e às altas taxas de emigração e migração interna.
3.4 Causas do catch‑up: fatores externos vs. internos [§39–§44]
Berger revisita o debate historiográfico sueco sobre as causas da rápida industrialização. De um lado, a “hipótese do crescimento liderado por exportações” enfatiza a demanda externa por recursos naturais e as reformas liberais (abolição das guildas, liberdade de comércio, padrão-ouro) que permitiram à Suécia explorar as oportunidades da Primeira Globalização (Jörberg, 1973; O’Rourke e Williamson, 1995a,b). De outro, a “hipótese do mercado doméstico” enfatiza fatores internos: a transformação agrícola prévia, a expansão da indústria têxtil e de bens de consumo em resposta ao aumento da renda rural, e o acúmulo desproporcional de capital humano. Berger conclui que pesquisas mais recentes tendem a enfatizar os fatores internos, sugerindo que a rápida industrialização do final do século XIX não foi uma ruptura radical, mas teve raízes na primeira metade do século.
4 Fontes (pp. 30–35)
4.1 Fontes de dados primários e secundários [§45–§51]
Berger descreve as principais fontes de dados utilizadas na dissertação. As estatísticas históricas suecas são consideradas de alta qualidade graças à Tabular Commission (depois Statistics Sweden), estabelecida em meados do século XVIII. Os registros paroquiais fornecem dados populacionais em nível de paróquia, condado e cidade, além de estatísticas vitais (nascimentos, óbitos, casamentos). Os censos populacionais de 1880, 1890, 1900 e 1910 foram digitalizados integralmente pelo North Atlantic Population Project e contêm informações demográficas e ocupacionais individuais. Dados sobre gastos municipais com escolas e distribuição de direitos de voto vêm das publicações oficiais Bidrag till Sveriges officiella statistik (BiSOS). Informações geoespaciais (GIS) são cruciais: dados de aptidão agrícola do banco de dados FAO‑GAEZ (FAO) são usados para medir a adequação do solo para batata e outros cereais; dados de elevação do CGIAR‑SRTM são acessados via Digital Chart of the World; e mapas históricos da rede ferroviária, georreferenciados a mapas de limites paroquiais, permitem medir a conectividade das localidades.
5 Sumário dos artigos (pp. 33–37)
5.1 Artigo 1: Geografia e crescimento — a introdução da batata [§52–§54]
Berger resume o primeiro artigo, que examina a contribuição da batata para o desenvolvimento econômico sueco nos séculos XVIII e XIX. Usando dados de preços e salários, ele constrói razões de bem‑estar (welfare ratios) que mostram que a batata aumentou significativamente a ingestão calórica dos trabalhadores. A análise principal explora a variação geográfica na aptidão para o cultivo de batata (dados FAO‑GAEZ) em um desenho de diferenças‑em‑diferenças. Os resultados indicam que, após 1800 (quando a adoção se generalizou), áreas mais aptas experimentaram crescimento populacional relativo mais rápido, com aumentos na fertilidade e quedas modestas na mortalidade. Uma estimativa sugere que a batata explica cerca de 10% do crescimento populacional entre 1800 e 1850.
5.2 Artigo 2: Elites e expansão da educação no século XIX [§55–§57]
O segundo artigo (em coautoria com Jens Andersson) investiga como a distribuição de poder político nas municipalidades rurais afetou os gastos com educação primária após a Lei de Educação Elementar de 1842. O sistema de votação era censitário e graduado, concentrando poder nas mãos de proprietários de terra e detentores de capital. Usando dados de relatórios municipais da década de 1870, o artigo mostra que municípios governados por elites (definidas como aqueles onde um único eleitor controlava mais de 10% dos votos) gastavam mais em educação, mesmo controlando por fatores econômicos e usando matching e variáveis instrumentais. O resultado sugere que as elites locais promoveram ativamente a escolarização em massa, possivelmente por motivos de controle social.
5.3 Artigo 3: Ferrovias e industrialização rural [§58–§60]
O terceiro artigo avalia o impacto das ferrovias estatais sobre o desenvolvimento rural. Usando dados em nível de paróquia para 1850 e 1900, Berger estima um modelo de diferenças‑em‑diferenças e IV (explorando rotas em linha reta entre nós da rede). Os resultados mostram que as paróquias atravessadas pelas ferrovias estatais experimentaram crescimento populacional mais rápido e transformação estrutural (aumento do emprego industrial). No entanto, os ganhos concentraram‑se em áreas com aglomerações industriais pré‑existentes, exacerbando desigualdades espaciais.
5.4 Artigo 4: Locomotivas do crescimento local — impacto de curto e longo prazo das ferrovias [§61–§63]
O quarto artigo (com Kerstin Enflo) foca no impacto das ferrovias sobre o crescimento urbano. Aproveitando a implantação escalonada da rede, os autores mostram que cidades “acidentalmente” conectadas durante a “primeira onda” (1855‑1870) cresceram substancialmente mais. Embora quase todas as cidades tenham ganhado acesso à rede até o final do século, a vantagem inicial persistiu: hoje, uma cidade que ganhou acesso na primeira onda é cerca de 60% maior do que uma cidade inicialmente similar que não ganhou. Os autores interpretam esse resultado como evidência de path dependence na localização da atividade econômica.
6 Conclusões do capítulo introdutório (pp. 37–39)
6.1 Síntese das contribuições e agenda futura [§64–§69]
Berger conclui que a dissertação fornece evidência causal sobre determinantes do crescimento durante a transformação econômica sueca. O primeiro artigo mostra que a batata alterou padrões regionais de crescimento e impulsionou a explosão populacional. O segundo revela que a desigualdade política, ao contrário do esperado, promoveu investimentos em capital humano. Os dois últimos artigos demonstram que a rede ferroviária acelerou o crescimento em áreas rurais desfavorecidas, mas também aumentou disparidades espaciais, e que o choque temporário das ferrovias iniciais gerou path dependence na hierarquia urbana. Berger sugere direções para pesquisa futura: examinar o papel da batata na industrialização rural precoce, investigar como a dinâmica entre elites agrárias e capitalistas emergentes afetou a educação no final do século XIX, e aprofundar a análise dos efeitos de longo prazo da infraestrutura de transporte. Ele também aponta que as evidências sobre batata e ferrovias oferecem lições para políticas de desenvolvimento contemporâneas, especialmente sobre o potencial de investimentos em infraestrutura para gerar ciclos virtuosos de crescimento local.